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O HappyBlog será um espaço de reflexão, de opinião, de exposição, de discussão, de pensamentos, ideias, leituras, sugestões e tudo que que se pretender… e para os associados do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia! Uma vez por semana… aqui no site do Hapinez, o nosso/vosso espaço de criatividade…! Sejam bem-vindos!

Hapinez, pela Excelência na Psicologia!

26 de Dezembro de 2017

Nesta época do ano, como poderia não falar acerca do Natal?

Tempo em que tudo parece mágico. Luz, cor, alegria, presentes, partilha, família, crianças felizes, sorrisos  e  palavras de FELIZ NATAL e BOAS FESTAS nas bocas de todos aqueles com que nos cruzamos em qualquer lugar. São dias de festa permanente desde que entra o mês de Dezembro. As pessoas andam atarefadas para que nada falte na noite da consoada, e numa azáfama alucinante por vezes num consumismo desmedido. E depois do mês de Dezembro passar??

Há dias, estive numa escola onde habitualmente dou consultas.  Cruzei-me nos corredores com um jovem de 15 anos, que regularmente me cumprimenta com agrado desde há algum tempo. Jovem que não é meu paciente, mas que com o seu espírito de adolescente e alguma rebeldia própria da mesma, comete alguns disparates com alguma gravidade. Por vezes, e ao longo do tempo, nos intervalos de uma consulta ou outra, fui conversando com ele, afirmando que certamente não é bem aquilo que ele quer fazer, que tais comportamentos não são solução para ele mostrar o que aparentemente não é; e que eu acredito que ele é bom rapaz!!! Nesse dia e logo que entro na escola, vem ter comigo para me cumprimentar e afirma: – Sabe, eu sei que é psicóloga. Fui para casa e falei com a minha avó. Vivo só com ela desde os dois  anos. Ela até tem estado muito doente. Será que não me pode dar consultas para me ensinar essas coisas que às vezes me diz… e outras???? Fiquei estremecida e abracei-o!!!! Depois das férias do Natal, conversamos com a tua avó!!! – afirmei. Nos minutos seguintes, ele foi ter com os colegas e eu continuei o meu caminho … sentindo que esta é mais uma história, de tantas outras, que acrescento à minha vida pessoal. Sim, porque histórias como esta não ficam apenas na esfera profissional, e são elas que fazem com me envolva, e que continue a acreditar que consigo  mudar/marcar a vida de tantas crianças e jovens que se cruzam no meu caminho!!! Podemos fazer sempre mais e melhor!!!

 Neste Natal, não nos esqueçamos igualmente dos desejos de ótima saúde. Esse bem necessário e precioso que não se adquire com dinheiro algum e que é imprescindível para que tudo o resto se concretize nas nossas vidas.

Ótima Saúde e Feliz Natal!!!

Cristina Fialho Baptista, MSc

Psicóloga Clínica

Coordenadora do Departamento de Ajuda do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

18 de Dezembro de 2017

Pedidos de ajuda…tantas vezes não sabemos como contornar as coisas para responder a alguns pedidos de ajuda. Quando uma criança precisa de ajuda, o Psicólogo investe ainda mais…como se fosse o futuro que estivesse em risco… até mesmo o dele, dado que a criança é o futuro da civilização. E quando nos impedem de ajudar, de dar uma resposta, de criar um caminho para esse futuro? E quando nos impedem que a ajudemos a trilhar o caminho para os seus sonhos? E quando nos impedem de as ajudarmos a estruturar os seus medos, os seus receios, as suas mágoas, as suas raivas?.

Um Psicólogo não se pode envolver, dizem-nos quando estamos na Universidade. O Psicólogo tem de manter a sua imparcialidade. Caramba… a realidade do Psicólogo é tão diferente! É impossível não nos envolvermos quando estamos perante casos em que o sofrimento psicológico é gritantentemente doloroso, tão doloroso que uma criança faz xixi pelas pernas abaixo quando sabe que um pai ou uma mãe a vai buscar. É impossível não nos envolvermos quando uma criança tem alterações de comportamento pelo facto de ir passar o fim de semana com um dos pais depois de uma separação conflituosa. É impossível não nos envolvermos quando um Tribunal de Menores obriga uma criança a estar com um pai, separado da mãe, pois está com pulseira electrónica por estar condenado por violência doméstica, e que à frente da filha agrediu regularmente a mãe. É impossível não nos envolvermos quando o Tribunal de Menores não entende que ser pai e ser mãe não é um direito, é um privilégio.

Acredito que muitos destes juízes e advogados que trabalham nos diversos tribunais pelo país fora, não se apercebam de que a lei nem sempre se compadece com os direitos das crianças, e que estes é que têm de ser a lei. A verdade é que, no ponto 3 do artigo 9 da convenção sobre os direitos da criança que refere que “ Os Estados Partes respeitam o direito da criança separada de um ou de ambos os seus pais de manter regularmente relações pessoais e contactos directos com ambos, salvo se tal se mostrar contrário ao interesse superior da criança”, é contrariada pela generalidade de situações em que os direitos dos progenitores são sobrepostos ao superior interesse da criança. São inúmeras as situações em que isso acontece…!

Tantas vezes penso que obrigamos, à luz da lei e dos direitos dos progenitores em estar com os seus filhos, crianças e jovens a partilharem as suas vidas, o seu espaço, com pessoas que as aterrorizam, perturbam o seu bem estar físico e/ou psicológico. Como se para nós adultos, fosse normal partilharmos as nossas vidas, de igual forma, com quem não queremos estar. Não. Enquanto adultos temos essa escolha. Ainda bem que assim é. Que tortura seria estar com alguém num registo diário ou quase diário, que nos fez ou faz mal, quer física quer emocionalmente. Mas quando falamos de uma criança, isso passa a fazer sentido, ainda que ela manifeste, por vezes de forma extraordinariamente clara e dolorosamente clara, que aquela presença é cruel para ela.

Eu envolvo-me, eu quero envolver-me, eu quero estar para aquelas crianças que vêem em mim, a resposta ao seu pedido de ajuda. Ontem, hoje e sempre!!

Patrícia da Câmara Pestana, MSc

Psicóloga Clínica

Coordenadora do Departamento de Marketing do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

11 de Dezembro de 2017

Todos nós conhecemos histórias (trágicas) de conhecidos, amigos, familiares que tomaram a decisão mais difícil de todas: Terminar com a sua própria vida. Histórias que aumentam e se repetem, que constituem actualmente um grave problema de saúde pública. Por esse motivo decidi trazer um tema tão inquietante como o suicídio, na esperança de inquietar outras mentes.

Pensando em números…. Ao nível mundial, diariamente acontecem cerca de 3000 suicídios, estima-se que uma pessoa a cada 40 segundos. Por cada pessoa que se suicida, 20 comentem tentativas (WHO, 2004). Anualmente, o número de suicídios dispara para um milhão, prevendo-se que em 2020 o número aumente para 1,5 milhões de suicídios (Azevedo et al., 2012). O suicídio apresenta anualmente uma taxa de mortalidade global de 16 por 100.000 habitantes posicionando o 13º lugar das causas de morte (WHO, 2012).

Em Portugal, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), se contabilizarmos os primeiros dez anos do século XXI, o número de actos suicidas aumentou significativamente: No ano 2000 registaram-se 519, em 2010 verificou-se um crescimento para 1098. A taxa de mortalidade por suicídio é 4 a 6 vezes superior nos homens em todas as regiões de Portugal Continental, em comparação com a taxa de suicídio nas mulheres. Tendo em conta a faixa etária, verifica-se uma taxa de mortalidade padronizada na idade igual ou superior aos 70 anos de idade. Caracterizando a mortalidade por suicídio por local de residência, os resultados demonstram-nos que a região do Alentejo é predominante, evidenciando a taxa mais alta de suicídio em Portugal, tanto nos homens como nas mulheres.

Sabemos que o principal fator de risco associado ao suicídio é a presença de perturbação mental, que é responsável por 90% dos casos; 60% destes casos evidenciam depressão. O risco de suicido diminui quando se verifica a cessação da doença mental, esta é a forma mais preventiva do suicídio (Chachamovich et al., 2009). Diversos são os factores que podem influenciar este resultado, como o consumo de substâncias psicoativas, o isolamento, a população envelhecida, os níveis baixos de escolaridade, o desemprego, a pobreza, a escassez de apoios médicos e/ou sociais.

As estratégias preventivas devem potenciar o conhecimento dos comportamentos suicidas e minimizar o estigma associado à doença mental, assim como diagnosticar a patologia e traçar a intervenção terapêutica adequada à doença diagnosticada. Se existir um conhecimento prévio dos fatores de risco e de protecção, será possível avaliar o risco individual que cada indivíduo manifesta, estando assim a actuar na prevenção.

Apesar de estes dados serem preocupantes, a investigação realizada em Portugal neste domínio ainda é escassa, não existindo ainda o conhecimento tão preciso quanto o desejável do número de suicídios, assim como do perfil dos suicidas. Existem algumas contrariedades quando se aprofunda este tema, uma delas prende-se ao facto de o suicídio ser considerado uma morte estigmatizada por diversos factores (psicológicos, biológicos, culturais, religiosos, ambientais, entre outros); outra dificuldade diz respeito ao momento da atribuição da etiologia suicida, que nem sempre é clara. Como as estatísticas não espelham a realidade, há que admitir que a real extensão do fenómeno é desconhecida, tornando difícil delinear uma intervenção preventiva e eficaz. Por este motivo é urgente reflectir e agir para reduzir o sofrimento que estes números espelham!

Esperança Henriques, MSc

Neuropsicóloga

Coordenadora do Departamento de Cultura do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

4 de Dezembro de 2017

Nos dias que correm cada vez mais falamos no envelhecimento. Portugal, como todos sabemos está a tornar-se um país “velho”, uma vez que a esperança média de vida tem vindo a aumentar ao longo dos anos em consequência da melhoria das condições de vida.

Esta é um temática que a mim muito interessa e à qual dedico algum tempo dos meus pensamentos. Estaremos nós a assegurar que os nossos idosos, estão “mentalmente” mais saudáveis?! É certo que nos preocupamos cada vez mais com um envelhecimento digno, com questões relacionadas com a manutenção física e biológica dos nossos idosos; preocupamo-nos ainda com as não menos importantes questões de higiene e habitabilidade, mas estaremos a dar a devida atenção às questões mentais que muitas vezes se escondem até, atrás de uma vida aparentemente pacata.

É para mim urgente, que nos dediquemos também a encontrar respostas e caminhos para que o percurso de uma vida, muitas vezes agitada e de grande dedicação não estagne. Para que qualquer que seja a pessoa esta tenha um envelhecer mais acompanhado e mais ativo, um envelhecer que não seja solitário e que mantenha as condições de saúde mental favorecidas e não permita que as mesmas entrem em declínio.

Quereremos nós para o nosso futuro, e o futuro daqueles que muito gostamos dias de isolamento sentados num sofá, com a televisão como única companhia?

Sara Cristóvão, MSc

Neuropsicóloga

Coordenadora do Departamento de Ação do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

27 de Novembro de 2017

Ser pai e mãe… na (co) parentalidade!

A separação conjugal e o divórcio, ao mesmo tempo que podem ser experiências muito angustiantes e perturbadoras, implicam inúmeras tomadas de decisões críticas e exigem reorganizações pessoais e relacionais profundas. Paradoxalmente, após a separação impõe-se a necessidade de nutrir uma relação de cooperação entre os pais: a relação co-parental.

Os PAIS podem sentir o mundo a desabar à sua volta…, todavia, importa focalizarem-se no que realmente importa, e que será imutável para SEMPRE que se prende com o facto de continuarem a ser PAIS daquela(s) criança(s), independentemente do rumo que a conjugalidade possa tomar… a par e passo com as elevadas exigências emocionais individuais que estas mudanças de papéis acarretam, obrigatoriamente!

Sendo uma realidade muito frequente nos dias de hoje, no ciclo vital das famílias, o nosso papel enquanto profissionais (e pessoas), deverá ter em conta a promoção de mudanças nas atitudes necessárias à negociação das responsabilidades parentais… na manutenção das regras e dos limites, tão necessárias à saúde mental e progresso favorável no desenvolvimento das crianças!

Exatamente como um bom casamento dá trabalho, o mesmo se aplica a um divórcio. Requer esforço e dedicação, e a maioria dos pais podem aprender a fazê-lo. Chegar a um acordo sólido sobre a existência de dois lares, conforta os filhos e dá aos pais mais espaço para a (re)construção de uma vida pessoal.

Idealmente, após a separação, os pais deverão criar uma relação “funcional”, que tenha como principal objetivo o bem-estar dos filhos… mais facilmente conseguem separar a relação conjugal que terminou, da relação parental que continuará para SEMPRE e criar uma parceria de forma a dar continuidade ao que iniciaram – criar e educar os filhos e construir uma vida familiar baseada em novas premissas. O divórcio por si não significa que a família tenha terminado… interessa redefinir a vida familiar para os filhos – como organizá-la quer na casa da mãe, quer na casa do pai!

Nenhuma família é exatamente igual a outra, no entanto a forma como os pais se relacionam um com o outro após a separação é crucial e os filhos beneficiarão em muito, se esse relacionamento for construtivo – sejam casados, solteiros ou divorciados, até porque os filhos amam, querem e precisam de ambos os pais, independentemente de ter sido criado um bom acordo legal, só os “bons afectos” e a efectiva “inteligência emocional” dos crescidos, conseguirão potenciar a continuidade da vida familiar, vivida em paz e de forma construtiva, pelas crianças, estendendo-se a seu tempo também, a cada um dos PAIS…

O nosso papel enquanto profissionais que trabalhamos com estas famílias não é linear… cabe-nos a nós relembrar os pais que as regras são necessárias e que devem ser semelhantes e consistentes quer em casa da mãe, quer em casa do pai! Cabe-nos a nós relembrar que acima de tudo devem ter em conta o superior interesse da criança, independentemente de por vezes, ser difícil aceitar que nem sempre é o melhor para os próprios… Cabe-nos a nós relembrar que todas as crianças têm direito a ter um relacionamento sério e atento com ambos os pais… e que todas as crianças têm o direito a ter dois lares, onde sejam acarinhadas e dada a oportunidade de se desenvolver harmoniosamente…. Cabe-nos a nós reforçar que todos os pais têm o direito de se designarem família, independentemente da forma como o tempo com os filhos é dividido… Cabe-nos a nós relembrar todos os pais e as mães, que ambos têm a responsabilidade e o direito de contribuir para a educação dos seus filhos, sem a interferência despropositada do outro… Cabe-nos a nós recordar os pais que toda a crianças têm o direito a ter pais/famílias competentes e a manter-se afastada dos problemas e discussões que os pais possam ter! Importa potenciar as competências das famílias, contribuindo para o bem-estar de todos os seus elementos; ajudar e apoiar as famílias, no sentido de lidarem da melhor forma possível com os desafios, com os quais se deparam ao longo do seu ciclo vital.

Vanessa Martins Cerqueira, MSc

Psicóloga Clínica | Terapeuta Familiar

Coordenadora do Departamento de Formação do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

20 de Novembro de 2017

Quando olho para os nossos adolescentes fico terrivelmente assustada. É fácil dizer que os teen de hoje em dia não querem saber de nada, “Se fosse na minha altura! Com a tua idade já trabalhava”, ”Não tinha a tua liberdade”, “ Ai de mim se respondesse aos meus pais”, “Vocês têm é tempo livre a mais”. Pergunto-me… e quem é que permitiu isso? Quem cuidou daquelas crianças que agora são adolescentes? Quem deu a liberdade? Quem se esqueceu dos limites? Alguém se lembrou de cuidar? De amar? De valorizar? Alguém se lembrou de dizer “Upa vá! Tu consegues!” de cada vez que aquela criança caía ou limitaram-se a esperar que ela se levantasse porque até “não foi nada”? É que independentemente de terem 14, 15 16, 18, 22 ou até 30 anos de idade eu continuo a repetir incessantemente “Upa! Força! Tu consegues!”. Mas o que me preocupa não é o facto de muitas vezes me sentir como um disco riscado, o que me preocupa verdadeiramente é que muitos dos nossos adolescentes nunca ouviram nada disto. O que me deixa aterrorizada é que numa fase de transição tão importante de consolidação da identidade, de alterações constantes a todos os níveis: físicas, emocionais, sociais, muitos dos nossos adolescentes estão vazios e assustados. Não sabem o que querem da vida, não sabem como enfrentar este mundo e alguns até desistiram e já nem se importam mais… mas claro que é mais fácil desculparmo-nos com “não vale a pena, está na idade da parvoíce, idade do armário, esperemos que passe depressa” do que darmo-nos ao trabalho de olhar verdadeiramente para aquele adolescente, de perguntar quem és e quem queres ser, de tranquilizar quando a resposta é “não sei” e dizer “não faz mal, iremos à procura juntos”.

Sim, eu sei que dá trabalho, sei que é difícil, os adolescentes são tão difíceis de compreender… mas será que não podemos ao menos tentar? Vamos deixar tudo como está para depois nos queixarmos do mundo em que vivemos? Sabiam que um “eu acredito em ti e tenho a certeza absoluta que vais conseguir coisas extraordinárias” é tão importante na infância como na adolescência? Acreditem que os adolescentes não têm só ar na cabeça… Têm sonhos, esperanças, projetos, ideias extraordinárias. Mas para vermos tudo isso temos que olhar para eles, importar-nos, cuidar, querer verdadeiramente compreender e continuar a dizer ”Upa! Força! Tu consegues! Eu acredito em ti”, mesmo que aquele adolescente já tenha 30 anos de idade.

Sou uma sonhadora e continuo a acreditar que é possível tornar este mundo um mundo melhor, mais feliz, mais saudável, preciso acreditar nisto para poder transmiti-lo ao próximo até porque sou péssima a fingir. Ainda tenho esperança que todos nós comecemos a olhar a adolescência com outros olhos e a cuidar dos nossos adolescentes como cuidamos das nossas crianças, para mais tarde nos podermos orgulhar dos adultos que temos neste mundo.

Tânia Encarnação, MSc

Psicóloga Clínica, Vice-Presidente do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

13 de Novembro de 2017

Promoção da saúde mental começa na infância!? Crianças Amadas, Adultos Mais Saudáveis!

De acordo com a Ordem dos Psicólogos Portugueses, a prevalência de perturbações mentais na infância tem sofrido um aumento nos últimos anos: uma em cada cinco crianças apresenta questões de saúde mental. As quais se refletem na idade adulta, tal como nos indicam as evidências cientificas, as perturbações mentais presentes na idade adulta tem a sua origem na infância. Estes dados são impressionantes só por si, todavia a sociedade atual não está informada e sensibilizada sobre a importância da saúde mental para uma sociedade mais feliz, humana, igualitária e justa.

Mas de que forma é possível efetuar a promoção da saúde mental? Porque é que esta promoção se deve iniciar na infância? Na existência de fatores de risco, que diferença fará a intervenção precoce?

É imprescindível que a promoção da saúde mental passe pelo aumento dos fatores protetores e diminuição dos fatores de risco e que ocorra desde da primeira infância, na medida em que é este é um período determinante para o desenvolvimento cerebral.

Grande parte das conexões entre os neurónios estabelece após o nascimento, salientando-se que no primeiro mês de vida as conexões aumentam exponencialmente, possibilitando inúmeras comunicações cerebrais. Isto significa que cérebro da criança num dado momento vai resultar das necessidades e das exigências desse mesmo momento, ou seja, o desenvolvimento cerebral evolui em resposta ao ambiente envolvente.

Daí a importância de intervir precocemente na infância, promovendo as experiências emocionais positivas, para que o cérebro seja mais resistente e capaz de enfrentar as adversidades da vida. Neste ponto as interações físicas e verbais com as figuras de referência desempenham um fator primordial. Assim, todas as intervenções devem ter como foco não só a criança, mas o contexto em que está inserida.

Vários estudos científicos vêm comprovando os danos causados por ambientes caóticos, desatentos e abusivos ao nível cerebral, verificando-se inclusivamente que processos de desenvolvimento neuronal são interrompidos na sequência dos maus-tratos.

Do ponto vista do desenvolvimento psicológico da criança, importa saber que os momentos de desadaptação são necessários para que daí possam emergir novas aquisições que permitam a adaptação a novas exigências (cognitivas e afetivas). Ao longo do desenvolvimento normal da criança podem surgir sintomas, que são transitórios e necessários. Daí a importância de nos importarmos mais com o normal, com os mecanismos que lhe estão subjacentes, do que concentramos a nossa atenção no sintoma. O sintoma ganha significado consoante o momento evolutivo da criança e o seu o contexto familiar.

Considerando estes factos, o diagnóstico de fatores de risco e de situações psicopatológicas é uma prioridade para implementação de estratégias preventivas e terapêuticas. Sendo que o trabalho multidisciplinar desempenha um papel fulcral nesta intervenção, que deve incidir na criança e no seu meio envolvente.

Os pais e cuidadores responsáveis por assegurar bem-estar e saúde da criança devem estar atentos a sinais de alerta e serem os principais promotores da saúde mental dos seus filhos.

Ajudando as crianças a falar das suas emoções, a compreender o seu significado, a enfrentar as dificuldades, adequando explicações á sua idade e maturidade, garantindo-lhes previsibilidade nos seus atos, estabelecendo rotinas, garantindo-lhes cuidados, proteção, um ambiente de confiança e calma, e por último o mais importante: garantindo-lhes um Amor Incondicionalmente que nunca desistirá delas.

Cátia Alcobia, MSc

Psicóloga Clínica, Vice-Presidente do Hapinez, Centro de Excelência para a Psicologia

6 de Novembro de 2017

O Hapinez já tem quase dois anos de vida e mostra-me todos os dias que ainda é possível juntar os Psicólogos em torno de uma causa e de uma missão: A nossa HappyMission! Esta está a começar a gatinhar, e as emoções são assoberbantes e gratificantes, uma vez que descubro que ainda existem pessoas que sonham, e que ainda é possível caminhar em direção à concretização desse sonho. As concretizações do Hapinez, como resposta às solicitações, são o exemplo dessa possibilidade: Lisboa, Carnaxide, Beja e Évora.

Surpreende-me…! E sinto-me muito menos só neste sonho! Mas existem noticias menos boas: É cada vez mais difícil sonhar. É cada vez mais difícil mobilizar as pessoas. Mobilizar as pessoas para pensar. Para ser. Para existir. É cada vez mais difícil colocar as pessoas a pensar. Preocupa-me que as crianças passem por psicólogos que não querem pensar. Preocupa-me que os adultos e os adolescentes e os idosos passem por psicólogos que não querem pensar. Não reflectem sobre o que fazem, porque fazem, para que fazem, como fazem e que objectivos pretendem alcançar. Preocupa-me que cada vez mais tenhamos psicólogos que não sabem o que estão a fazer. Preocupa-me que os psicólogos não saibam as consequências daquilo que fazem sem saber fazer. Preocupa-me que os psicólogos não se preocupem em colocar toda a sua ciência e toda a sua teoria e toda a sua prática em cada acto que levam a cabo. O acto clínico é um acto de minúcia e que requer a excelência – sempre a excelência… Que exige ser sustentado por uma reflexão profunda. E para conseguir pensar e reflectir profundamente sobre esse acto clínico, o psicólogo tem de ter à sua volta todo um conjunto de técnicos – professores, educadores, terapeutas, médicos – que o possam ajudar e possam contribuir sintonicamente para essa reflexão. Não apenas no e para o acto clínico, mas, principalmente na vida. Preocupa-me que seja cada vez mais difícil mobilizar os psicólogos para pensar. Para reflectir. Para formação. Para supervisão. Para ouvir histórias. Para contar histórias… Preocupa-me que seja cada vez mais difícil mobilizar os psicólogos que promovem a excelência. Para serem a excelência. Para praticarem a excelência.

Preocupa-me que a humanidade esteja a perder o tino, o fito, o objectivo, o princípio… Num humanismo sem humanismo. Num mundo onde cada um se preocupa consigo. Onde os valores estão ausentes… onde não há preocupação… não há excelência… não há nem seres nem humanos… Preocupa-me que os psicólogos façam parte dessas pessoas e dessa humanidade… Preocupa-me, principalmente, que essas pessoas, que são psicólogos, tenham seres humanos nas suas mão. Têm a vida – a saúde mental – desses seres humanos nas suas mãos. Pessoas… não tijolos. O que me preocupa é que os Psicólogos que têm pessoas nas suas mãos, têm nas mãos pessoas que confiam nos psicólogos… que estão nas mãos desses psicólogos. Pessoas que não são tijolos. Pessoas que merecem a excelência… não menos que a excelência. Preocupa-me que esses psicólogos se esqueçam da excelência… da ciência… da teoria… da prática. Preocupa-me, principalmente, que os psicólogos se esqueçam do humanismo. Preocupa-me, principalmente, que os psicólogos sejam preconceituosos… que descriminem, que ostracizem, que excluam… Preocupa-me, principalmente, que os psicólogos sejam uma quantidade de coisas que, apesar de o poderem ser na sua vida privada, não o podem ser na sua profissão! Será que esses psicólogos sabem dessa responsabilidade…? Será que são psicólogos que só têm direitos, e não têm deveres? Eu não quero viver nesse mundo – recuso a deixar-me contaminar por esse mundo…

Preocupa-me o lugar para onde estamos a caminhar. Quero acreditar que estamos a caminhar para um lugar onde se respira sonho… onde se respira trabalho… onde se respira excelência… onde a preocupação de cuidar e ser cuidado é constante… onde nos sorriem mesmo quando com pressa… nos cumprimentam mesmo quando não nos conhecem… É o que me move! Chegar e viver nesse lugar! O que me move é fazer tudo o que está ao meu alcance para permitir – ou mesmo obrigar – que tal aconteça. O que me move, o que me faz acordar todos os dias?! É poder batalhar com tudo o que tenho para promover e encontrar um caminho de excelência, um caminho Hapinez… Eu não preciso do Hapinez para ser quem sou. Mas preciso de continuar a sonhar Hapinez, a respirar Hapinez, a ser Hapinez, para acreditar que vale a pena continuar a batalhar e a acordar todos os dias. Para acreditar que existem pessoas de excelência… que existem psicólogos de excelência… Que existe a excelência! Porque acordo para batalhar todos os dias pela Psicologia de Excelência! Para batalhar todos os dias para garantir que o Hapinez é o lugar da excelência, um lugar onde as pessoas que chegam até nós são recebidas pela excelência, ouvem excelência, sentem excelência, e falam de excelência… Não abico desse sonho…! Não abdico dessa excelência…! E enquanto existir um ser humano que sonhe, continuarei a batalhar por concretizar este sonho… Por esse sonho, pela humanidade, pelo humanismo… sou capaz de dar a vida!

Nuno Colaço, PhD

“Um pioneiro e criativo na Psicologia… no fazer e no saber fazer… um tutor da Psicologia… um homem que marca… um homem que sabe o que faz e o que diz, e que quer fazer sempre melhor… um orientador e supervisor que marca todos os que têm a fortuna de o ouvir… de o apreender… cito Nuno Colaço, em “Eu sei! Ser Preto no Branco” “(…) eu tenho esperança que os pensadores de hoje e alguns dos pensadores que restarem amanhã, se possam reunir num tempo e num espaço, e nesse espaço levem o tempo a pensar a humanidade… a sustentar a humanidade… para que eu possa viver feliz…” Ricardo Luciano, Cascais, 2017